UGT CONTESTA DECISÃO DO GOVERNO REQUISIÇÃO CIVIL NA TAP É PREMATURA E ABUSIVA

18.12.2014

O Governo assumiu hoje, em Conselho de Ministros, a decisão de avançar com a
requisição civil dos trabalhadores da TAP, face à greve que se encontra decretada para
o final do ano.
Deve ser recordado que os tribunais há muito se pronunciaram sobre a figura da
requisição civil, deixando claro que o Governo só pode lançar mão da mesma depois
de instalada a greve, quando se conheça a verdadeira dimensão dos seus efeitos e
desse conhecimento resulte a constatação que os serviços mínimos não estão a ser
assegurados.
Num momento em que se encontra a correr no Conselho Económico e Social o normal
processo para a definição de serviços mínimos, em que a greve está ainda longe de
começar e em que os sindicatos sempre manifestaram a intenção de cumprir os
serviços mínimos, esta decisão do Governo não pode deixar de ser considerada, no
mínimo, prematura.
A UGT não pode assim deixar de contestar a decisão assumida, a qual considera
mesmo abusiva, uma vez que tem apenas e só fundamentos políticos e que não deixa
de constituir uma pressão ilegítima sobre os sindicatos que decretaram a greve e
mesmo sobre os trabalhadores que a ela pretendam aderir.
A UGT deve assim manifestar a sua solidariedade para com todos os sindicatos que
decretaram esta greve, não apenas por partilhar de muitas das preocupações que a
originaram mas também face a esta decisão assumida pelo Governo e à ausência de
um real diálogo com os sindicatos.
A UGT reitera aqui a sua posição de não concordância com uma privatização da TAP
que não garanta o seu papel de companhia de bandeira, com um papel estratégico
para o País e para as relações de Portugal com o exterior, nomeadamente com os
países lusófonos e com todos aqueles onde residem os nossos emigrantes.
A UGT reafirma ainda que o caderno de encargos a apresentar aos interessados de
aquisição da TAP inclua, de forma inequívoca, a garantia da salvaguarda dos direitos
contratuais dos trabalhadores e do direito à negociação colectiva.
A UGT termina com um apelo. Um apelo a que o Governo retome o diálogo com os
sindicatos da TAP, sob pena de se tornar o principal responsável pelos efeitos que esta
greve terá sobre os portugueses e sobre Portugal.

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