OS SALÁRIOS DOS GESTORES AUMENTAM, MAS CAEM OS SÁLARIOS DOS TRABALHADORES MENOS QUALIFICADOS

04.09.2014

A retoma
parece ter chegado ao recibo de vencimento de quem ocupa cargos de
responsabilidade nas empresas portuguesas. Um estudo da consultora Mercer, que
analisou as políticas salariais de 302 empresas, mostra, pela primeira vez nos
últimos anos, uma mudança de tendência: se em 2012 e 2013 os salários nominais
(o que se recebe efetivamente no final do mês) desceram em praticamente todos
os níveis hierárquicos, em 2014 os cargos de direção geral e administração
conseguiram aumentos na ordem dos 3,31%.Os diretores de primeira linha e as
chefias intermédias tiveram crescimentos de 1,64% e 1,14%, respetivamente.



Essa não foi a realidade para os trabalhadores com funções
comerciais e vendas ou para os operários. Nestes casos, registou-se uma descida
de ordenado que chegou aos 1,41% (operários) e aos 0,14% (comerciais). Noutras
funções, como administrativos ou quadros superiores, a evolução face a 2013 foi
quase residual: 0,44% e 0,97%, respetivamente.



“A
recuperação está a acontecer nas funções de maior conteúdo funcional e
responsabilidade. É uma tendência que não é estranha: com a crise, os salários
praticados nestas funções tiveram uma maior penalização e quando há retoma, as
empresas têm tendência para reter estes recursos, cuja perda tem implicações
mais altas em comparação com outros grupos de colaboradores”, explica Tiago
Borges, responsável na Mercer pela área de estudos de mercado e de compensações
salariais.



Em anos
anteriores, a elevada taxa de desemprego fez baixar os ordenados. Com mais
pessoas à procura de emprego e um número reduzido de oportunidades, as empresas
conseguiram pagar salários mais baixos. Agora, com a diminuição do desemprego -
está em queda há 15 meses consecutivos e situou-se nos 14% em Julho, de acordo
com o Eurostat – “as organizações já não estão a conseguir descer os salários”.
“Há uma inversão do ciclo e como seria de esperar está a notar-se mais nas
áreas de administração e direções de primeira linha porque também foram as mais
prejudicadas no processo de ajustamento”, diz Tiago Borges.



Resultados
financeiros e desempenho pesam na decisão


Mas o fenómeno de redução salarial continua a ser uma realidade para os
operários ou trabalhadores nas áreas comerciais ou de vendas. O consultor
acredita que em 2015 “eventualmente” já haverá “alguma recuperação para estes
níveis hierárquicos”, mas as perspectivas de alguma “normalidade” no que toca a
aumentos ainda não são muito optimistas.



“Tipicamente
os aumentos são alinhados à inflação, que está em níveis residuais. Os salários
deverão, pelo menos, acompanhar esta evolução para que não haja quebra de poder
de compra dos trabalhadores, mas no caso dos operários, juntando a descida
salarial verificada à inflação, estaremos a falar de uma redução de 2% do poder
de compra”, analisa.



Os
resultados financeiros da empresa e o desempenho do trabalhador são os fatores
que mais influenciam a atribuição de aumentos. A estes juntam-se o
“posicionamento face ao mercado, a equidade interna, diretrizes da casa mãe,
orçamento aprovado e os acordos coletivos de trabalho”. A antiguidade ou a
hierarquia “são os fatores que menos influenciam a atribuição do incremento
salarial”, lê-se no estudo, denominado Total Compensation Report 2014.



Outro
sinal de alguma recuperação foram as respostas dadas pelos gestores sobre as
intenções de contratação. A grande maioria (73%) pretende manter o seu quadro
de pessoal, mas o número de empresas que prevê aumentar (19%) é superior ao que
prevê diminuir (8%). “É a primeira vez que isto sucede nos últimos cinco, seis
anos”, diz Tiago Borges.



22%
adiantam salários aos trabalhadores


Em 2014, 22% das empresas adiantaram salários ou concederam empréstimos a
trabalhadores com dificuldades financeiras. A grande maioria destes
adiantamentos (94%) foi motivada por “situações de emergência”, despesas de
hospitalização (67%) e educação (17%). Em comparação com anos anteriores, a
percentagem diminuiu . Em 2012, esta prática foi registada em 27% das
organizações.



Apesar da
crise, as empresas inquiridas pela Mercer estão a manter os benefícios que
oferecem aos colaboradores. Cerca de 90% das empresas oferecem um plano médico
e 38% concedem um complemento de subsídio de doença. No estudo, são ainda
analisados os níveis salariais dos recém-licenciados: no primeiro emprego
recebem entre 12.600 e os 18.075 euros por ano.



 



In: Jornal
Público


http://www.publico.pt/economia/noticia/salarios-dos-gestores-de-topo-aumentaram-mas-cairam-nos-trabalhos-menos-qualificados-1668567

COMENTÁRIOS



Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar esta notícia.

Últimas Publicações | 0 - 1053 Publicações

UGT assinala o Dia Internacional dos Direitos das crianças 2016-11-24
Resolução do Secretariado Nacional 2016-11-24
RESOLUÇÃO DO SECRETARIADO NACIONAL SOBRE OE 2017 2016-10-27
SEMINÁRIO "As relações laborais e o seu impacto na sociedade portuguesa" 2016-10-26
Declaração Universal sobre Igualdade de Género 2016-10-20
POLÍTICA REIVINDICATIVA 2016-2017 - POLÍTICAS COM SENSIBILIDADE SOCIAL. IR MAIS LONGE 2016-09-29
Resolução do Secretariado Nacional da UGT 2016-06-15
Carlos Silva refere em Braga que a União Europeia esqueceu-se das pessoas... 2016-06-06
Programa do Encontro Setorial da Indústria - Hotel do Templo - Bom Jesus - Braga 2016-06-02
EURES-TRANSFRONTEIRIÇO - GALIZA-NORTE DE PORTUGAL PROMOVE EM BRAGA ENCONTROS SETORIAIS DA INDÚSTRIA 2016-06-01
1 2 3 4 5 6

CONTACTE-NOS

RUA DOS CHÃOS, 23 – 2º ANDAR
4700-230 BRAGA
TEL: 253 268 276 FAX: 253 615 280
EMAIL: braga@ugt.pt

PRÓXIMOS EVENTOS

Não existe nenhum próximo evento.